Conforme
explica Eduardo J. Viola e Héctor R. Leis, em seu trabalho “Desordem Global da
biosfera e nova ordem internacional: o papel organizador do ecologismo",
publicado na Textos nº 8, do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1989, Ecologismo, em um sentido estrito,
é um movimento social, entretanto, em sentido amplo, é um movimento histórico.
É um campo que compreende: a) associações autodenominadas ambientalistas, o
movimento ecologista stricto sensu; b) setores ecologistas da comunidade
científica, presentes nas Universidades e Institutos de pesquisa; c) indivíduos
coletivos, formadores de opinião, que têm uma orientação ecologizante; d) partidos
verdes; e) pequenos e médios empresários que incorporaram a dimensão ecológica
na sua racionalidade microeconômica; f) grupos e redes orientados para o
desenvolvimento do potencial humano; g) a comunidade de técnicos das agências
estatais do meio ambiente; h) movimentos sociais que não se identificam como
movimentos ecológicos, mas que têm orientações valorativas e práticas concretas
ecologizadas; i) setores minoritários-ecologizados de macroestruturas: agências
estatais, corporações multinacionais, partidos políticos, associações profissionais
(sindicatos e outros), associações empresariais e organizações religiosas (p.2).
Esse movimento tem uma preocupação com os desenvolvimentos autossustentados
para níveis locais e global simultaneamente, o que implica em uma reforma moral
em que a ética global deve estar imbuída de valores ecológicos e espirituais
(p.12). “O enfoque ecologista supõe um processo de drástica redistribuição
do poder à escala mundial, com restrições às “soberanias” nacionais” (p.16).
“As lutas pacifistas, feministas e ecologistas têm o papel de passagem de um
tipo de sociedade para outro” (p.16/17). O movimento prevê quatro cenários,
sendo que o seu interesse é alcançar o quarto cenário. Isto é, o quarto
cenário, auto-eco-organização global, supõe um sucesso total do papel
organizador do ecologismo e implica uma ruptura radical em relação às
tendências atualmente existentes, incluindo uma mudança na própria natureza
humana histórica, provavelmente uma mutação biopsicossocial. Neste cenário
haveria uma drástica contenção demográfica, com forte diminuição consciente da
população da terra no século XXI ... ... ... Neste cenário haveria uma rápida
extinção dos estados nações e sua substituição por uma federação mundial de bio-regiões
autogeridas. (p.27)
Ante tal
explanação, parece-nos razoável pensar o ecologismo como um movimento de vários
agentes que atuam historicamente com preocupação ecológica em suas ações de
transformação do mundo e da ordem internacional.