quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Oriente

Oriente

Oriente é o que está à leste, no Levante, onde nasce o Sol. É outro termo com acepção paralela ao Orientalismo pós Said (Vide verbete Orientalismo). Alguns condenam grafar o temo com a inicial maiúscula, entretanto, este Comendador faz questão de assim proceder, pois se tratando de substantivo próprio, em português, grafa-se com a inicial maiúscula.

Orientalismo

Orientalismo

Orientalismo é um termo antigo, que entretanto com Edward Said a partir de 1978 tomou como conotação “a tendência de as culturas europeias imperialistas se representarem a si próprias de um modo positivo e superior e de representarem as culturas colonizadas de modo negativo e inferior. ... ... ... Anteriormente, o termo possuía uma conotação mais positiva do que pejorativa. A primeira referência ao termo conhecida, em Portugal, surge no Grande Diccionario Portuguez ou Thesouro da Língua Portuguesa de 1873. Poucos anos depois, Zófimo Consiglieri Pedroso (1898), definiu-o como o estudo do Oriente por parte de ‘homens europeus eruditos’, asserção que, hoje em dia, não deixaria de colocar problemas a qualquer autor que pretenda analisar o orientalismo à luz dos estudos pós-coloniais. Criticam-se, até com frequência, autores nativos pós-coloniais por estes também serem simplesmente homens ‘eruditos/as’ nas tradições de saber ocidentais”. (OLIVEIRA, João Pedro. O latinórum na Tóri di Babel: humor e língua na literatura em crioulo de Macau. Lisboa: Centro Científico e Cultural de Macau e Universidade de Macau, 2024).

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Wokismo

Wokismo

Wokismo é um fenômeno ou um movimento político ideológico preocupado com os males do mundo e os atos que tentam remediá-los, desenvolvido desde o final do século XX e difundido em especial na segunda década do século XIX. Woke é o adepto do wokismo, que se origina da palavra inglesa woke, particípio passado do verbo wake que tem o sentido de acordar, estar desperto. Isto é, aquele que está atento, acordado e desperto para as preocupações de uma agenda mundial e seus “modernismos”, muito relacionados com o racismo, o feminismo, os direitos dos transexuais, a linguagem politicamente correta etc. e com as formas de sanar e compensar esses males, mesmo que históricos.

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Bibliografia:

MARQUES, João Pedro. A culpa do homem branco. Lisboa: Guerra e Paz, 2024

Culturalismo

Culturalismo

 

Culturalismo, abraçado por Tobias Barreto, no Brasil, foi um movimento filosófico que não chegou a constituir uma escola, na opinião de Miguel Reale e que teve no pensamento sergipano o sentido da antítese entre Natureza e Cultura. A respeito é preciso lembrar que a teoria da evolução de Darwin, na segunda metade do século XIX, revolucionou o pensamento e “determinou profundas alterações nos estudos sociais e históricos, inclusive sobre a origem do Direito, campo de interesse principal de Tobias” Barreto. Para este, a Natureza é:

o estado originário das cousas, o estado em que elas se acham depois do seu nascimento, enquanto uma força estranha, a força espiritual do homem, com a sua inteligência e a sua vontade, não influi sobre elas e não as modifica – esse estado se designa pelo nome geral de Natureza”.

E continua para definir a Cultura:

Quando, porém, o que é natural se afeiçoa de acordo com fins humanos; quando ‘o homem inteligente e ativo põe a mão em um objeto para adaptá-lo a uma ideia superior’, (sic) surge a Cultura”.

A cultura, portanto, conclui Tobias, é ‘a antítese da natureza, no tanto quanto ela importa uma mudança no natural, no intuito de fazê-lo belo e bom’”.

Assim sendo, o Direito não é um filho do céu, mas simplesmente ‘um fenómeno histórico, um produto cultural da humanidade’; um meio de abolir o estado da natureza, ‘a vida pela coação, até onde não é possível a vida pelo amor’; ‘a força que matou a própria força’; ‘uma das peças de torcer e ajeitar o homem da natureza em proveito da sociedade...’” (REALE, 1992, p.17)

Nessa visão tobiática, a Cultura é o resultado da afirmação dos valores humanos corrigindo os desvios e excessos da Natureza.

Na visão Renovática, a tatuagem e os piercings seriam sinais da cultura humana, eis que o homem até se mutila para alterar a natureza.

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Bibliografia

REALE, Miguel. A cultura no pensamento de Tobias Barreto. IN O pensamento de Tobias Barreto. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 1992.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Trono de Santo António

Trono de Santo Antônio

A tradição de construir tronos em honra de Santo António é uma original expressão cultural, profundamente lisboeta e de identidade cultural bairrista.

Em junho, em Lisboa sai à rua para festejar o seu santo mais querido, conjugando os festejos religiosos com os arraiais e as marchas populares, com as sardinhas e os manjericos e com os inúmeros eventos que convidam a descobrir a cidade.

Também a tradição dos tronos de Santo António, homenagem genuína dos lisboetas ao santo que ali nasceu, dá um colorido muito especial a cidade.

Faz parte da tradição antiga, quando a população de Lisboa se mobilizou para recolher fundos para reconstruir a igreja de Santo António, depois do grande terramoto de 1755. As crianças também se quiseram associar e passaram a erguer pequenos tronos na rua, acompanhados do pedido de “uma moedinha para Santo António”, que com o tempo passou a ser usado para comprar guloseimas e fogos de artifício. Mas foi uma tradição que se enraizou e, ainda hoje, durante todo o mês de junho, na soleira das casas, nos recantos dos bairros populares e nas praças, encontramos estes tronos dedicados a Santo António, armados por crianças, jovens ou seniores, por artistas, lojistas, grupos de vizinhos, escolas, centros de dia ou associações culturais. (Pedro Teotónio Pereira – coordenador – Museu de Lisboa – Santo António).

Há quem chame o trono de Santo António de Altar de Santo António.

Trono de Santo António, no Restaurante Pau de Canela na Praça das Flores, em Lisboa.

O maior trono de Santo António erguido em Lisboa, em 2024, pela Junta da Freguesia de Santa Maria Maior, no Rossio





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Infodemia

O fenômeno da Infodemia é “um excesso de informações, algumas precisas e outras não, que tornam difícil encontrar fontes idôneas e orientações confiáveis quando se precisa”, conforme definido pela Organização Mundial da Saúde.

ANJOS, Ismael dos. Espalhando verdades. IN Revista Gol, nº 236, novembro/dezembro 2023. Radar. p. 75-78.

Projeto Verificado

 O Projeto Verificado foi lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em maio de 2020, com o mote de enfrentar a Infodemia, "mas mesmo ao longo da pandemia" [de Covid 19] "as prioridades foram mudando. No início era para dizer que existia pandemia. Depois era para reforçar o uso da máscara. Mais tarde para mostrar a importância da vacinação" e hoje já explora outras temáticas urgentes. "Presente em mais de 100 países, o projeto Verificado cria redes de mensageiros de confiança para combater as notícias falsas e a crise da desinformação"

ANJOS, Ismael dos. Espalhando verdades. IN Revista Gol, nº 236, Novembro/Dezembro 2023. Radar. p. 75-78. 

Oriente

Oriente Oriente é o que está à leste, no Levante, onde nasce o Sol. É outro termo com acepção paralela ao Orientalismo pós Said (Vide verb...